Uma investigação sobre desvio de verbas públicas no interior de São Paulo tomou um rumo incomum: o dinheiro supostamente desviado teria custado um ritual espiritual de dominação amorosa.
O caso, que envolve a vice-prefeita afastada do município de Ribeira, ganhou novos detalhes com o depoimento da líder religiosa contratada para o serviço. A líder religiosa identificada como Samantha concedeu entrevista e trouxe novos elementos ao caso.
Segundo ela, a vice-prefeita afastada Juliana Maria Teixeira da Costa (MDB) teria a procurado para contratar um trabalho espiritual com objetivo sentimental.
O pedido incluiria um ritual de dominação amorosa e um suposto casamento espiritual, ambos destinados a afastar a esposa de um homem com quem Juliana manteria um relacionamento.
Samantha afirmou ainda que desconhecia a origem do dinheiro no momento da negociação. Só depois de tentar cobrar o restante do valor contratado é que ela descobriu que a cliente ocupava um cargo público no município.
O serviço espiritual foi contratado por R$ 380 mil, mas apenas R$ 41,2 mil foram efetivamente pagos.
Esse valor, contudo, não saiu do bolso da vice-prefeita: segundo o Ministério Público de São Paulo, o pagamento foi feito por uma empresa privada contratada pelo município para prestar serviços na área da saúde.
A empresa em questão é a W.F., de propriedade do empresário Willian Felipe da Silva.
O comprovante de transferência realizado pela empresa W.F. foi o elemento que expôs o esquema. Isso aconteceu porque Samantha publicou nas redes sociais uma imagem do atendimento que continha o documento.
A partir da publicação, a investigação passou a considerar aquela transferência como parte do esquema de desvio.
Os investigados e as acusações
O Ministério Público de São Paulo denunciou três pessoas pelo suposto esquema:
- Juliana Maria Teixeira da Costa, vice-prefeita afastada de Ribeira;
- Lauro Olegário da Silva Filho, ex-coordenador municipal de Saúde;
- Willian Felipe da Silva, empresário e dono da empresa W.F.
As acusações abrangem crimes praticados entre 2021 e 2024 e incluem:
- Fraude em licitações públicas;
- Emissão de notas fiscais falsas;
- Desvio de dinheiro dos cofres do município.
Decisão da Justiça
Com base nas acusações formuladas pelo MP, a Justiça determinou o afastamento imediato de Juliana Maria Teixeira da Costa do cargo de vice-prefeita.
Além disso, a decisão judicial suspendeu os contratos públicos que são alvo da investigação. O caso segue em andamento e novas diligências podem ampliar o escopo das apurações no município de Ribeira.
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