A Polícia Federal (PF) prendeu em flagrante dois homens durante uma operação de combate ao garimpo ilegal no município de Jacareacanga, no sudoeste do Pará. A ação, realizada na última sexta-feira (24), culminou na desativação de uma estrutura clandestina de mineração instalada em uma área de floresta de difícil acesso pertencente à União.
De acordo com a Polícia Federal, os suspeitos foram autuados pelos crimes de usurpação de bens da União, extração de recursos minerais sem autorização, uso irregular de mercúrio e porte ilegal de arma de fogo de uso permitido. Todo o material apreendido foi encaminhado para os procedimentos legais, juntamente com os presos.
Os homens foram autuados por uma série de crimes ambientais e federais, incluindo:
- Extração de recursos minerais sem autorização dos órgãos competentes;
- Usurpação de bens da União (já que a atividade ocorria em uma gleba pública federal);
- Uso irregular de mercúrio;
- Porte ilegal de arma de fogo de uso permitido.
- Apreensão de maquinário e armas
Durante a operação, os agentes apreenderam uma escavadeira hidráulica de grande porte, duas espingardas, uma caminhonete e uma quantidade de mercúrio, substância altamente tóxica utilizada na separação do ouro dos sedimentos. O metal pesado é considerado um dos principais contaminantes decorrentes da atividade garimpeira ilegal, causando impactos severos aos rios, à fauna, à flora e à saúde das populações que dependem desses recursos naturais.

Levantamentos preliminares da Polícia Federal apontam que os danos ambientais provocados pela exploração clandestina são estimados em aproximadamente R$ 13 milhões. A degradação inclui supressão da vegetação nativa, alteração do solo e potencial contaminação dos cursos d'água pelo uso de mercúrio.

Combate ao garimpo ilegal
Jacareacanga está entre os municípios paraenses que enfrentam pressão constante da mineração ilegal devido à grande ocorrência de ouro na região e à extensa cobertura florestal. Nos últimos anos, operações integradas envolvendo a Polícia Federal, Ibama, Funai e outros órgãos ambientais têm sido intensificadas para desarticular organizações envolvidas na exploração clandestina de recursos minerais, especialmente em áreas protegidas e terras públicas federais.
Além dos impactos ambientais, o garimpo ilegal costuma estar associado a outros crimes, como ocupação irregular de terras públicas, desmatamento, porte ilegal de armas, lavagem de dinheiro e comercialização clandestina de ouro. As autoridades também alertam para os riscos sociais provocados pela atividade, incluindo conflitos fundiários e ameaças a comunidades tradicionais e indígenas.
A Polícia Federal informou que as investigações terão continuidade para identificar outros envolvidos no esquema criminoso, bem como eventuais financiadores e responsáveis pela logística da exploração ilegal na região.
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