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Sabado, 18 de Abril de 2026

Política

quem são os eleitores que rejeitam Bolsonaro e Lula

Pesquisa mostra que um em cada quatro eleitores prefere uma terceira opção, veja se você enquadra nesse perfil

Newto Santos
Por Newto Santos
quem são os eleitores que rejeitam Bolsonaro e Lula
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A terceira via não conseguiu encher duas quadras na Avenida Paulista no último domingo, mas sobrevive como esperança de milhões de eleitores que buscam uma opção viável a Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva na eleição de 2022. Existe uma brecha real para um candidato Nem-Nem? A pedido de VEJA, a Quaest/Genial produziu o mais detalhado estudo sobre os eleitores Nem-Nem.

Pesquisa nacional realizada entre 26 e 29 de agosto com 2 mil entrevistas mostrou que posto diante de três opções os eleitores se repartiram assim:

45% Lula
23% Bolsonaro
25% Nem Bolsonaro, Nem Lula

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Nas condições atuais, Lula está perto de vencer já no primeiro turno, mas o potencial de votos de um candidato Nem-Nem é grande.

Detalhamento da sondagem mostra que a demanda por um candidato Nem-Nem é do Sudeste e Sul: 

22% estão em São Paulo
13% Rio de Janeiro
9% em Minas Gerais
7% Rio Grande do Sul e Santa Catarina
6% Paraná

O perfil dos eleitores Nem Nem:

64% trabalham com carteira assinada
56% mulheres
48% idade entre 35 e 60 anos
40% votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2018
48% católicos
39% ensino fundamental
36% tem Superior completo ou incompleto
35% região Sul
34% se informam por portais de notícias
32% ganham mais de 5 salários-mínimos

O eleitor Nem-Nem é tão crítico do governo Bolsonaro quando os lulistas.

70% estão muito preocupados com a pandemia
73% acham que a economia piorou.

Eles têm posturas contrárias aos bolsonaristas em temas como a confiança nas urnas eletrônicas, liberação de posse de arma, direitos das mulheres, debate de sexualidade nas escolas, contra a privatização, reajustes de salários e defesa do SUS.

Quando confrontados com os nomes possíveis, os eleitores se dividem assim:

Ciro Gomes (PDT)

33% conhecem e poderiam votar
53% conhecem e não confiam
11% não conhecem

João Doria (PSDB)

20% conhecem e poderiam votar
57% conhecem e não votariam
19% não conhecem

Eduardo Leite (PSDB)

10% conhecem e poderiam votar
28% conhecem e não votariam
60% não conhecem

Rodrigo Pacheco (PSD)

7% conhecem e poderiam votar
31% conhecem e não votariam
60% não conhece

Simone Tebet (MDB)

5% conhecem e poderiam votar
14% conhecem e não votariam
80% não conhecem

O governador João Doria é conhecido e muito rejeitado. Candidato a presidente pela quarta vez, Ciro Gomes é o mais conhecido e tem alta rejeição. O governador Eduardo Leite e os senadores Rodrigo Pacheco e Simone Tebet são desconhecidos mesmo para os eleitores não querem votar em Lula e Bolsonaro.

Não é um quadro simples. Desde que Lula recuperou os direitos políticos, já desistiram de serem candidatos o ex-ministro Sergio Moro, o apresentador Luciano Huck e o executivo João Amoêdo. Quando confrontados com Lula e Bolsonaro, a terceira via some. Lula fica com 465, Bolsonaro, 26%; Ciro, 8% e Doria, 6%. Faltando pouco mais de um ano para as eleições, a terceira via é uma miragem.

Mas se existe demanda, é provável que haverá oferta. Para crescer, os candidatos a terceira terão de iniciar suas campanhas no Sudeste-Sul e centrar a sua artilharia em Bolsonaro. O antipetismo tosco dos pixulecos já está ocupado pelo bolsonarismo e as ruas no domingo mostraram que alguns movimentos são mais fortes no twitter do que na vida real.

Por duas vezes, a terceira via quase deu certo. Em 2002, o governo Fernando Henrique era tão impopular que o eleitor conservador flertou com Roseana Sarney, Ciro Gomes e Anthony Garotinho e no final votou em Lula. A uma semana do primeiro turno de 2014, Marina Silva tinha um segundo lugar que foi perdido por um péssimo desempenho nos debates e falta de estrutura partidária. Os dois episódios trazem lições. No primeiro caso, só um governo fraco como o de FHC em 2002 permite a possibilidade de sequer chegar ao segundo turno. O exemplo de 2014 mostra que eleições presidenciais são plebiscitárias por natureza. Para chegar a enfrentar Lula num segundo turno, os Nem-Nem primeiro precisam derrotar Bolsonaro.

 

 

FONTE/CRÉDITOS: Exame
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Newto Santos

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