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Segunda-feira, 01 de Junho de 2026

Pará

Inquerito mira sumiço de dados previdenciários de servidores municipais de Anapu no Pará

Município desconta contribuição, mas comete falha sistêmica que impede trabalhadores de se aposentarem ou receberem auxílios do INSS

Newto Santos
Por Newto Santos
Inquerito mira sumiço de dados previdenciários de servidores municipais de Anapu no Pará
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O Ministério Público Federal (MPF) abriu um Inquérito Civil para investigar a Prefeitura de Anapu por uma falha sistêmica e contínua que está colocando em risco o futuro e a segurança social de centenas de servidores públicos municipais. Sob a condução do Procurador da República Rafael Nogueira Souza, a investigação apura por que o município deixa de repassar corretamente as informações previdenciárias dos trabalhadores ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS).

O caso veio à tona após uma denúncia formal apresentada pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Anapu (SISMUA).

A investigação aponta para uma grave contradição na gestão de pessoal da prefeitura. A contraposição de documentos revelou que o município realiza mensalmente o desconto das contribuições previdenciárias nos contracheques dos servidores. No entanto, esses valores retidos não estão se convertendo em direito efetivo perante o INSS.

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Devido a erros na prestação de informações através dos sistemas federais (como eSocial e DCTFWeb), os extratos do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) de inúmeros funcionários públicos apresentam o indicador de pendência “PREM-BLOQ-EC103”.

Esse bloqueio, que se repete de forma generalizada desde novembro de 2019, tem um efeito devastador na vida do trabalhador: ele impede que os meses trabalhados e pagos sejam computados para tempo de contribuição, carência de benefícios ou para o cálculo do valor de uma futura aposentadoria, deixando a categoria em completo desamparo.

O MPF ressaltou que o problema não se trata de erros isolados, mas de um padrão de falha coletiva na administração do município. Outro ponto agravante que pesou para a abertura do Inquérito Civil foi o silêncio da gestão municipal.

A prefeitura de Anapu já havia sido formalmente notificada a prestar esclarecimentos por meio do Ofício nº 1221/2025, mas optou pela inércia e ignorou as cobranças da Justiça Federal, recusando-se a explicar o sumiço dos dados dos trabalhadores.

Diante do prejuízo coletivo e da falta de respostas, o procurador Rafael Nogueira Souza determinou, como diligência inicial, o envio de uma nova ordem expressa ao Prefeito de Anapu. O gestor terá o prazo definitivo de 20 dias para apresentar uma justificativa detalhada e apresentar os documentos exigidos.

O objetivo do inquérito, além de apontar os culpados, é forçar o município a adotar medidas urgentes para a imediata regularização do cadastro dos servidores e garantir a reparação dos danos causados à categoria.

Fonte: O Impacto

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