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A Justiça Federal deu início a uma nova fase no combate aos crimes contra o patrimônio da União na região amazônica ao aceitar a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) e tornar réus dez investigados por envolvimento em um esquema de extração e comércio clandestino de ouro com ramificações em Itaituba, no sudoeste do Pará.
Além de responderem à ação penal, os acusados tiveram mantidos o bloqueio de R$ 146,2 milhões em bens e ativos financeiros, além do sequestro definitivo da aeronave utilizada para o transporte do minério ilegal.
A origem das investigações
O caso veio à tona a partir de desdobramentos iniciados em 20 de agosto de 2021. Na ocasião, uma operação conjunta entre a Polícia Militar de São Paulo e a Polícia Federal interceptou uma aeronave no Aeroporto Campo de Marte, na capital paulista. A bordo, os pilotos transportavam 52 quilos de ouro em barras, desprovidos de qualquer documentação fiscal legítima.
A carga apreendida, embarcada inicialmente no distrito de Crepurizão — área de forte garimpo em Itaituba —, foi avaliada à época em R$ 13,5 milhões.
Investigações aprofundadas pelo MPF revelaram uma engrenagem de fraudes estruturada para "esquentar" o ouro. O grupo utilizava empresas de fachada, notas fiscais com dados ideologicamente falsos e o uso indevido de Permissões de Lavra Garimpeira (PLGs) irregulares ou vencidas. Por meio dessa maquiagem documental, o minério extraído ilegalmente de terras da União era inserido no mercado formal para comercialização nacional e internacional.
Laudos periciais e análises de imagens de satélite comprovaram que as áreas declaradas nas notas fiscais não possuíam capacidade produtiva ou sinais de extração compatíveis com os volumes comercializados. Entre 2019 e 2021, o esquema declarou movimentações superiores a 449 quilos de ouro.
Pedidos de condenação e reparação
Os réus responderão por crimes como usurpação de bens da União, lavagem de dinheiro, receptação qualificada e integração em organização criminosa transnacional. O MPF exige na justiça a condenação dos envolvidos, a perda definitiva do ouro e da aeronave apreendidos, bem como o pagamento de reparações por danos materiais e ambientais cujos valores solidários ultrapassam a casa dos R$ 83 milhões.
Os réus do processo
Estão formalmente citados e sob intimação para apresentar resposta à acusação os seguintes investigados:
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Diego de Mello
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Daniel de Mello
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Lillian Rodrigues Pena Fernandes
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Marina Galo Alonso
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Isaac Fuhrmann Cula
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Nataniele da Silva Santos
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Josenilde Vieira Uchoa
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Francimar Uchoa de Oliveira
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Guilherme Crepaldi Silva
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Muhammad Diarra Ndiaye
O processo segue tramitando sob o número de Ação Penal 1054947-82.2025.4.01.3900 na Justiça Federal. Até o trânsito em julgado da sentença, os acusados permanecem sob o manto do princípio constitucional da presunção de inocência.
Portal Jamanxim
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