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Quarta-feira, 14 de Outubro 2026
Itaituba

Justiça Federal aceita denúncia e inicia julgamento de dez réus por esquema milionário de comércio ilegal de ouro em Itaituba

Ação penal movida pelo Ministério Público Federal aponta lavagem de dinheiro, usurpação de bens da União e movimenta pedidos de reparação superior a R$ 83 milhões; bens e ativos bloqueados chegam a R$ 146,2 milhões.

Janaina Filadelpho
Por Janaina Filadelpho
Justiça Federal aceita denúncia e inicia julgamento de dez réus por esquema milionário de comércio ilegal de ouro em Itaituba
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A Justiça Federal deu início a uma nova fase no combate aos crimes contra o patrimônio da União na região amazônica ao aceitar a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) e tornar réus dez investigados por envolvimento em um esquema de extração e comércio clandestino de ouro com ramificações em Itaituba, no sudoeste do Pará.

Além de responderem à ação penal, os acusados tiveram mantidos o bloqueio de R$ 146,2 milhões em bens e ativos financeiros, além do sequestro definitivo da aeronave utilizada para o transporte do minério ilegal.

A origem das investigações

O caso veio à tona a partir de desdobramentos iniciados em 20 de agosto de 2021. Na ocasião, uma operação conjunta entre a Polícia Militar de São Paulo e a Polícia Federal interceptou uma aeronave no Aeroporto Campo de Marte, na capital paulista. A bordo, os pilotos transportavam 52 quilos de ouro em barras, desprovidos de qualquer documentação fiscal legítima.

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A carga apreendida, embarcada inicialmente no distrito de Crepurizão — área de forte garimpo em Itaituba —, foi avaliada à época em R$ 13,5 milhões.

Investigações aprofundadas pelo MPF revelaram uma engrenagem de fraudes estruturada para "esquentar" o ouro. O grupo utilizava empresas de fachada, notas fiscais com dados ideologicamente falsos e o uso indevido de Permissões de Lavra Garimpeira (PLGs) irregulares ou vencidas. Por meio dessa maquiagem documental, o minério extraído ilegalmente de terras da União era inserido no mercado formal para comercialização nacional e internacional.

Laudos periciais e análises de imagens de satélite comprovaram que as áreas declaradas nas notas fiscais não possuíam capacidade produtiva ou sinais de extração compatíveis com os volumes comercializados. Entre 2019 e 2021, o esquema declarou movimentações superiores a 449 quilos de ouro.

Pedidos de condenação e reparação

Os réus responderão por crimes como usurpação de bens da União, lavagem de dinheiro, receptação qualificada e integração em organização criminosa transnacional. O MPF exige na justiça a condenação dos envolvidos, a perda definitiva do ouro e da aeronave apreendidos, bem como o pagamento de reparações por danos materiais e ambientais cujos valores solidários ultrapassam a casa dos R$ 83 milhões.

Os réus do processo

Estão formalmente citados e sob intimação para apresentar resposta à acusação os seguintes investigados:

  • Diego de Mello

  • Daniel de Mello

  • Lillian Rodrigues Pena Fernandes

  • Marina Galo Alonso

  • Isaac Fuhrmann Cula

  • Nataniele da Silva Santos

  • Josenilde Vieira Uchoa

  • Francimar Uchoa de Oliveira

  • Guilherme Crepaldi Silva

  • Muhammad Diarra Ndiaye

O processo segue tramitando sob o número de Ação Penal 1054947-82.2025.4.01.3900 na Justiça Federal. Até o trânsito em julgado da sentença, os acusados permanecem sob o manto do princípio constitucional da presunção de inocência.

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