Um estudo realizado pela Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) nesta quarta-feira, 2, apontou a contaminação por poluentes químicos em regiões do rio Tapajós, nos municípios de Santarém e Itaituba onde há áreas de intervenção humana no meio ambiente. O estudo foi publicado na Revista Virtual de Química.
A pesquisa do Instituto de Biodiversidade e Florestas (Ibef) da Ufopa, liderada pelo professor Arthur Abinader Vasconcelos, em parceria com os pesquisadores Kelson Faial e Bruno Santana, do Instituto Evandro Chagas, destaca que o objetivo da pesquisa foi investigar a presença de poluentes inorgânicos presentes em pontos selecionados para coleta no rio Tapajós, a partir de ações antrópicas, ou seja, que indiquem a intervenção humana no meio ambiente.
Esses poluentes inorgâncos são substâncias químicas que podem apresentar certas afinidades com componentes de nosso sistema biológico, que pode gerar a chamada "doença (ou síndrome) do bebê azul" ou meta-hemoglobinemia, que afeta o transporte de oxigênio no corpo pela oxidação do ferro Heme presente na hemoglobina. Outros poluentes presentes no estudo podem causar problemas dermatológicos, estomacais e também afetar os rins.
A coleta das amostras da água do Tapajós foi realizada na região do baixo Amazonas, oeste paraense, nas cidades de Santarém e Itaituba. Foram três regiões envolvidas na pesquisa: em Santarém, a orla da cidade e a comunidade de Pajuçara; e, em Itaituba, a orla daquele município. De acordo com o professor Arthur Vasconcelos, os
locais foram escolhidos por serem regiões populosas por onde o rio Tapajós corre: “Trata-se, exatamente, da região que concentra o maior aquífero de água doce do planeta, o aquífero do Tapajós”, destacou.
O pesquisador apontou a importância do estudo devido à falta de registro dos parâmetros relacionados à contaminação de esgoto doméstico a partir de elementos químicos como o fosfato, o sulfato ou ácido sulfônico, que podem estar presentes em detergente e shampoo. Outros elementos são o cloreto e o nitrato, que podem estar presentes devido às áreas de agricultura, nas quais são usados produtos químicos. “O trabalho se deu em determinar esses parâmetros de nitrato, cloreto, sulfato e fosfato nas amostras de água em 12 pontos amostrados de cada região de estudo”, disse Vasconcelos.
Na conclusão do trabalho, o fluxo das embarcações é apontado como um possível responsável por parte dessa contaminação. Em alguns casos, o despejo feito pelas embarcações é semelhante àquele despejado de uma residência, que aumenta a contaminação dos rios, assim como o despejo de esgoto doméstico.
Com informações do (Ufopa e PortalGiro)
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