A professora Eliude Ramos Ribeiro da Silva, da Escola Maria da Graças Escócio Cerqueira (PA), é a mais nova finalista do Prêmio Professor Porvir. Em Itaituba, ela desenvolveu com turma de Atendimento Educacional Especializado um projeto sobre meio ambiente que distribuiu sementes e mudas para ampliar a conscientização da escola (e de toda a comunidade) sobre a preservação da natureza.
Promover a igualdade de oportunidades, a formação integral e o protagonismo juvenil é uma das minhas metas como professora da educação especial. Em busca da inclusão, sempre busco valorizar a cultura e aprimorar a relação entre teoria e prática por meio de metodologias ativas. Um dos projetos mais recentes que desenvolvi na Escola Maria da Graças Escócio Cerqueira, no município de Itaituba (PA), envolveu o debate sobre os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) 13 e 15, voltados à conscientização ambiental, e a participação ativa dos alunos na preservação do meio ambiente.

Tudo começou com a turma de AEE (Atendimento Educacional Especializado), do 1° ano do ensino médio. Nossa escola é rodeada por quatro ipês amarelos. A árvore, reconhecida pela qualidade da madeira, está dispersa por todos os biomas do país. No mês de setembro de 2022, resolvemos coletar suas sementes, guardá-las em papel de seda e doá-las como lembrança para quem visitou o nosso “Brechó – Moda Circular e Sustentável”.

O projeto, que ganhou o nome de “Desenvolvimento de mudas de Ipê Amarelo com alunos do AEE”, funcionou assim: a turma de estudantes surdos e com deficiência intelectual montou no Instagram uma loja virtual com peças usadas. Os alunos surdos usavam as Libras (Língua Brasileira de Sinais) para falar sobre os detalhes das roupas, as formas de pagamento e os demais sinais necessários para a venda. Com toda a escola, combinamos um dia para a venda presencial, feita em Libras, com o meu apoio na tradução. Além de ganhar sementinhas de ipê, os visitantes puderam aprender sobre os principais sinais em Libras.
Explicamos o conceito de bolas de sementes: pequenas esferas feitas de argila, terra e sementes. Fornecemos os materiais necessários, como argila, terra adubada, sementes e recipientes para mistura. Essa etapa contou com a participação ativa dos alunos com deficiência, fornecendo suporte e adaptações necessárias para suas necessidades individuais.
Mão na massa.
– Hora do plantio: para plantar as mudas que cultivamos no berçário, bem como as bolas de sementes, escolhemos diferentes lugares: o ambiente escolar, um igarapé perto da escola, uma creche e as margens do lago Bom Jardim. Orientamos os alunos a prepararem o solo, fazendo buracos adequados para o plantio das mudas, e jogando as bolas de sementes diretamente no solo.

– Monitoramento: programamos mais visitas em instituições que trabalham com sustentabilidade, como o próprio Instituto Federal e o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). Também voltamos às comunidades indígenas e, na escola, as famílias acompanhavam as atividades de perto. Envolvida durante todo o processo de plantio, a turma também é estimulada a cuidar das mudas.

A falta de recursos financeiros foi um desafio imenso. Não temos transporte para os alunos irem às atividades fora da escola (muitos moram a 5 km e fazem o trajeto a pé). Mas contamos com a ajuda da comunidade, de empresários locais, da doação da minha mãe e família ou das minhas economias. Uma amiga é motorista de aplicativo e nos levava aos destinos sempre que podia. Também conseguimos doações de sementes e mudas de alguns viveiros e do ICMBio, bem como o apoio da prefeitura, por meio das secretarias de educação, infraestrutura e do meio ambiente.
O diretor Regional DRE Itaituba. Professor Ribamar Almeida e toda equipe da Regional do Tapajós estão dando total apoio aos profissionais da educação idealizadores deste projeto de grande relevância para o nosso município, nosso estado e nosso país.
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